terça-feira, julho 24, 2007

Tenho uma amiga que andou a blogar (o que é blogar? “a palavra não foi encontrada”) por outras freguesias. Só que em vez de versão escrita foi falada, sentida, vivida, comida, desabrochada e vamos parar por aqui. Em resumo a minha amiga esteve de férias em Cabo Verde, apanhou sol e uma bactéria na ilha da Boavista, deixou um pratinho de massa à entrada do aeroporto, quentinho, acabado de sair do estômago… se correrem ainda lá deve estar. Também esteve na maratona de como-gastar-dinheiro-a-fazer-coisa-nenhuma e ganhou. Conseguiu pagar uma viagem inteirinha sem subsídio e conseguiu gastar o subsídio em duas semanas de Lisboa, trabalho e casa. Há coisas fantásticas, não há? A minha amiga desaparecida tem preferido amêijoas na praia ao fim da tarde a palavras na Internet. Tem preferido estar com os amigos a falar deles num blogue manhoso. Um almoço a três em vez de almoços regulares no restaurante aqui ao lado. Um fim de semana em frente a um seio de Clara Pinto Correira em vez de fins de semana em frente a uma televisão de doze polegadas sem direito a ser chamada de LCD. Quarenta horas em Serralves, tardes no terraço mais secreto de Lisboa, e muito trabalho para suportar esta vidinha… mais ou menos (como diria Nitinha). Este fim de semana um casamento… há pessoas que se metem nessas coisas. Este Verão muitos bebés… também há pessoas que se metem nestas coisas e depois não conseguem sair. E eu a passar de fininho a ver se saio ilesa…
Pode ser que a vida acalme, se torne desinteressante e eu volte a escrever... mais vezes.

segunda-feira, junho 11, 2007

E tenho uma amiga que foi ao Alive. E essa amiga conseguiu a proeza de chorar durante uma hora e meia durante o concerto de Smashing Pumpkins. Vá que não estava na primeira fila, nem era loira nem pensava que era a D’Arcy e por isso não ficou conhecida como aquela rapariguinha que, ou estava de mal com a vida ou já tinha estado ou pressentia que para estar mal iria faltar muito pouco tempo. Essa rapariguinha irritante que aparecia no ecrã reunia toda a tristeza ou melancolia ou saudosismo que existe na música dos Pumpkins e no corpo de, pelo menos, três pessoas que estavam naquele recinto, àquela hora. Três pessoas com histórias de vida diferentes que um dia se cruzaram. Uma dessas pessoas é a minha amiga. Outra é amiga da minha amiga. Outra não gosta que eu fale dela. Vou apenas dizer que tenho uma amiga que bateu as mesmas palmas ao som das mesmas músicas, mas agora, só agora as percebeu bem. Porque as palmas eram as mesmas, mas desta vez os braços abanavam ameaçando os primeiros sinais de flacidez, porque as músicas, as letras eram as mesmas mas nós estamos diferentes. Naquela noite éramos pessoas diferentes.

E NESTA FOI O DILÚVIO.

Time is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change the less you feel

Believe, believe in me, believe
Believe that life can change
That youre not stuck in vain
We're not the same,
we're different tonight
Tonight, so bright
Tonight

And you know you’re never sure
But you’re sure you could be right
If you held yourself up to the light
And the embers never fade in your city by the lake
The place where you were born

Believe, believe in me, believe
Believe in the resolute urgency of now
And if you believe there’s not a chance tonight
Tonight, so bright
Tonight

We'll crucify the insincere tonight
We'll make things right,
we'll feel it all tonight
We'll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you,
tonight

E espero que a rapariguinha loira da primeira fila não queira ser como a D’Arcy em tudo… porque a baixista com mais pinta da história do Rock (ok, a Melissa também tem um ar engraçado) só não está de volta porque como a descreve Billy Corgan é “mean spirited drug addict”. O concerto teve uma ligação qualquer com o divino. Ai teve, teve.

sexta-feira, maio 18, 2007

Tenho uma amig aque adorava Smashing Pumpkins. Era a banda que a acompanhava na vida real e na de ficção, aquela que se passa na cabeça e só aí tem razão de ser.
Os Smahing Pumpkins que conheceu em cassete e que trouxe para Lisboa. A criança da capa de Siamese Dream que, de vez em quando, ainda lhe aparece nos sonhos.
Os Smashing Pumpkins das pessoas que ia gostando.
Os Smashing Pumpkins dos Especiais na rádio e dos trabalhos fora de horas.
Os Smashing Pumpkins dos momentos fortes e das fraquezas.
Os Smashing Pumpkins dos Coliseus e do escurinho dos camarotes.
Os Smashing Pumpkins de Billy Corgan e de um aperto de mão em tons satânicos e paralisia de movimentos.
O Smashing Pumpkins das viagens de carro.
Os Smashing Pumpkins das canções. E das frases certas: “The more you change the less you feel”, “The Impossible is Possible”, “Tomorrow is just an excuse away”, “You make it last forever, you…”
Tenho uma amiga que adorava Smashing Pumpkins e a banda acabou. Agora voltou, depois destes anos todos de convalescença. Não se brinca assim com os sentimentos das pessoas. Mas a minha amiga não tem personalidade. Eles estalaram os dedos e ela vai a correr… ver SMASHING PUMPKINS no Oeiras ALIVE, dia 9 de Junho. See ya there.

quarta-feira, maio 09, 2007

Tenho uma amiga que tem um namorado que é o maior. Dá bons conselhos, muito sensatos, que revelam uma maturidade acima da média. Senão analisemos. Como lidar com gente que nos consome os nervos diariamente? Conselho do mestre: “Sempre que falares com eles, imagina-os a cagar”. Façam isto. Resulta. De repente tornam-se pessoas muito engraçadas.

quarta-feira, maio 02, 2007

Tenho uma amiga que é minha prima e pelos vistos corre-nos no sangue mais do que apenas genes em comum. Oscar Wilde. Por isso roubo à descarada (porque em família estamos sempre à vontade para roubar à descarada) uma citação que está aqui também.

Meus amigos são todos assim: metade loucura, outra metade santidade.
Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.Deles não quero resposta, quero o meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco!Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.Não quero só o ombro ou colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos, nem chatos.
Quero-os metade infância e a outra metade velhice.Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto.
E velhos, para que nunca tenham pressa.Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos,
Nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão estéril.

Oscar Wilde

terça-feira, maio 01, 2007

Tenho uma amiga que, com este post, chega ao número 69. Parabéns! Chegar ao 69 é sempre um marco importante na vida de alguém. Essa amiga não tem escrito muito. Têm acontecido coisas à volta dela, tem escrito muito de cabeça. Promete voltar fresca e com coisas positivas. Sobre ela e sobre as amigas que ficam lá sempre quando tudo à volta quer desmoronar. Que caia tudo de uma vez que nós tentamos ficar de fora a ver, como se de nós não se tratasse. 69! É um grande número e difícil. Requer talento e sincronismo. O número. Parabéns.

quinta-feira, abril 05, 2007

Tenho uma amiga que teria tanto jeito para ser rica!! Essa amiga teve uma visão do que poderia ser um futuro feliz para ela. Animais a correrem atrás de tudo e de nada enquanto apanha flores no primeiro orvalho da manhã (o primeiro orvalho que, para ela, seria ao meio-dia.). Três gatos a dormirem ao sol. Dois labradores, uma collie, um perdigueiro português, e outro mínimo daqueles que usam totós no cimo da cabeça e ladram fininho. Um macaco que gosta de bananas e gosta de ti. Todo este cenário numa casa perdida com vista para a lagoa. Pode ser uma lagoa qualquer desde que cheire bem, a terra molhada e a flores. Um homem que é o dela, de barba grisalha e casaco verde-tropa com capuz. O homem a preparar o barco a remos para ir pescar. O nevoeiro a levar o homem embora. Mas não por muito tempo. Uma sesta no jardim com todos os animais junto dela e o telemóvel a tocar. Que as gentes do campo e das casas das lagoas perdidas também têm telemóvel. O fim da tarde e o peixe acabado de pescar no barco a remos, pelo homem de barba grisalha que é o dela. Os banhos para começar a noite entre petiscos e abraços. Os amigos vão chegando. Trazem vinho, trazem queijo e a inveja saudável por não viverem na casa da lagoa. Trazem festa e festas para os cães, gatos e macaco que gosta de banana e gosta de ti. As conversas não perdem ritmo. Ela e o homem de barba grisalha que é o dela não se perdem de vista. Os amigos não perdem o peixe, grelhado, o melhor que já comeram. Às tantas perdem o tino, começa a música, começa o esquecimento. As horas não acabam. Acaba apenas esta visão do que poderia ser um futuro feliz. Tenho uma amiga que teria tanto jeito para ser rica.

sexta-feira, março 30, 2007

Tenho uma amiga que hoje está de ressaca. Mais de sono do que de álcool. Culpa da Mini Internacional Magazine. Culpa dos Cool Hipnoise, Vicious Five e Buraka Som Sistema que actuaram na festa. Culpa de ser cosmopolita e não querer perder Lisboa vista e sentida por quem interessa. Culpa de quem a convidou. Foi a primeira vez dela como RP. Não doeu. Neste tipo de experiências dói mais o dia seguinte. Será que foi uma one night stand?

quarta-feira, março 28, 2007

Tenho uma amiga que recusou trabalho no sábado à noite por causa do último episódio da novela “Tempo de Viver”. É uma pessoa doente, coitada. Mas já agora… Quem é o Tubarão?

segunda-feira, março 26, 2007

Tenho uma amiga que viu ontem a final dos Grandes Portugueses. Odete Santos ficou sem um dente. Saltou-lhe da boca logo do início. Isso sim é de ter medo e vergonha. Cuspir dentes na televisão é feio, muito feio. Ah! E o Salazar ganhou.

quinta-feira, março 22, 2007

Tenho uma amiga que esteve mesmo para assinar os posts como Alengirl. Mas depois pensou melhor e decidiu acrescentar um “l”. Allengirl é melhor. Atrai mais estrangeiros.

quarta-feira, março 21, 2007

Tenho uma amiga que andou por aí a ver questionários e estacionou a nave numa pergunta “Qual a primeira memória da infância?”. Há tantas… A amiga era uma criança muito faladora. A amiga criança não gostava de crianças. Falava com velhos, inventava histórias de vidas. Uma das memórias envolve uma tábua de passar a ferro e uma tia. Uma conversa. Uma criança de 4 anos. A amiga lembra-se de contar à tia que passava a ferro, coisas do quotidiano, do marido que lhe dava trabalhos, dos filhos que a consumiam. A tia ria-se a disfarçar. A criança de 4 anos, que era a amiga, percebeu perfeitamente o riso mas não percebeu o motivo do riso. Não percebeu porque é que a tia que passava a ferro se estava a rir de uma história tão seria e corriqueira. Não percebeu porque é que não se podia ter marido e filhos e vida feita aos 4 anos. E esta é uma das primeiras memórias de infância da amiga.

segunda-feira, março 19, 2007




Tenho uma amiga que veio de fim-de-semana. Já chegou. Chegou da Aldeia de S.Gregório. Chegou cheia de sol, vinho, queijo, javali, mais vinho e mais queijo. Piscina com rateiras, aka, cobras que comem ratos, mosquitos e outros bichos. Mas um grande fim-de-semana. Honra feita ao grande Quintanilha, um figurão do “Jet7 Rural”, que sempre que faz um negócio leva os clientes ao coma alcoólico. Sempre em Badajoz. Que lá é que se vive. Lá é que se bebe. Lá é que há espanholas lavadinhas que cheiram a gel de banho. O Quintanilha, que diz que Portugal é o país dos Tinhas (o meu avô tinha, o meu pai tinha, eu tinha… mas já não tenho nada). Que diz que um homem que bebe coca-cola não presta porque não liberta os fantasmas que tem lá dentro. Beber vinho liberta fantasmas e os homens de bons vinhos não beliscam as mulheres. Que diz que as mulheres são más e controlam e que tirou 57345348 fotografias para provar à sua “gorda” que esteve naquele jantar e não em Badajoz a fazer asneiras. O Quintanilha. Um Quintanilha em cada jantar e… sim, o coma é uma das possibilidades, mas a gargalhada é uma garantia. Muito Bom. Já agora, amigos que me estejam a ler, comecem a pensar num fim-de-semana com a Aldeia de S.Gregório só para nós… 434374234 garrafas de vinho, 32 pessoas, 12 casas 1 restaurante, 1 piscina com rateiras, 1 Quintanilha… para quando?

sexta-feira, março 16, 2007

Tenho uma amiga que vai passar o fim-de-semana a S. Gregório. Precisa deste carregar de baterias como quem precisa de… de quê?... de respirar praí. Não é Las Vegas, não é Miami, não é Londres, não é Bora Bora. Pronto, é S. Gregório. Pronto, vai haver cantares e quadras Alentejanas com artistas amadores da região, vai haver pequeno Discurso de Boas-Vindas por parte do Presidente da Região de Turismo de Évora, e até um percurso pedestre. Que haja. Não se riam. É Turismo de Habitação, ok???? (Fica bem melhor do que dizer que é Turismo dos Pobres). Depois conto. A amiga foi.

Tenho uma amiga que está mortinha mortinha por ver Factory Girl. Edie Sedgwick é musa de Andy Warhol. Sienna Miller é Edie, Guy Pierce é Andy, a decadência é tema.
Let´s look at the traila...


quinta-feira, março 15, 2007

Tenho uma amiga que não sabe se quer ter filhos. Pelo menos tem a certeza que, se os tiver, não serão planeados. Nunca irá dizer ‘bora fazer um filho, está mesmo a apetecer-me’. Não. Não vê com bons olhos a ideia do parto, para começar. Não acha o acto de dar à luz um milagre, é mais um atraso da ciência. A gravidez é muito bonita? Deixa marcas, faz engordar, faz varizes, e dói. Onde é que está a beleza que eu de repente não estou a ver? E depois? Dar de mamar. Fantástico. A criancinha ali a puxar leite, as mamas roxas, que maravilha. Como diz uma senhora, “a criança que vá mamar para o raio que a parta”. E há mais… O choro, as noites mal dormidas, o rabinho do bebé assado de tanto cocó e xixi. As horas certas, as quantidades certas, o pediatra certo, as roupinhas certas. Em vez de jantares, queijo e vinho… cólicas, papinhas e biberões. E demoram muito tempo a falar, outro defeito. Não se percebe nada do que dizem, grunhem e os crescidos a achar muita piada. Filho da minha amiga que começar a palrar e a babar ao mesmo tempo, leva na cara. Não há cá figurinhas tristes para outros aplaudirem. É preciso ter muita certeza na vida para ter um filho. Se uma relação não correr bem, há uma conversa que se tem e cada um vai à sua vida. Se uma relação de maternidade não corre bem, não se pode dizer à criança ‘temos que falar. Não és tu, sou eu.’ É um contrato vitalício. E a minha amiga ainda nem sequer assinou o contrato promessa.

terça-feira, março 13, 2007

Just Jack - Starz In Their Eyes

Tenho uma amiga in love por isto. Espero que gostem.

Tenho uma amiga que é mais ou menos famosa. Num restaurante da moda foi alguém ter com ela, "desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta?" ela quase corada, "pronto, já me reconheceram, não se pode jantar à vontade", "pergunte lá". Pergunta: "Você não trabalha na loja da TMN de Almada?" Aahahaha. Famosa. Pois.

segunda-feira, março 12, 2007

Tenho uma amiga que saiu no sábado. A saída tinha tudo para dar certo. A saída teve tudo para dar errado. Não deu nem para um lado nem para outro. A festa era de dois amigos.
Logo à partida prometia...
Cheia de gente gira (mais as mulheres), bem disposta, um dj conhecido… principalmente na Margem Sul, vista para o rio, comida e bebida (isto sim importante num jantar de portugueses, mesmo que sejam portugueses com muito glamour e dietas de dois em dois meses).
Logo à chegada desconfiava-se...
Jantar volante ou ambulante ou lá o que é. Jantar em pé, tudo ao monte para tirar o melhor bocadinho de salmão (por acaso muito bom). Depois música aos berros. E conversar ao jantar, não? Não. Come e cala que a música não deixa ouvir ninguém. Quem tentou um diálogo, hoje teve estar afónico. Ou gritos ou ir lá para fora, falar ao relento. Estava concluída a primeira parte da noite de sábado.

Deve aqui acrescentar-se que, ao contrário da imagem que a minha amiga tinha de festas deste género, nada de muito espectacular aconteceu. Onde estão as festas dos anos 80 com orgias & cocaína? Estavam lá gentes da rádio, televisão, jornais, publicidade, música e até actores. (ok, 1 actor. Ok, mais ou menos actor). E nem um escândalozinho? Nem uma linha? Nem sequer bebedeira de fazer corar no dia seguinte? Nem sexo? Aliás, poucos fumadores, cambada de saudáveis. Já não se fazem festas como antigamente. Esta esfera de gente agora deu para ser certinha.

Adiante.

Passo seguinte: Jamaica. Que destino fantástico. Infelizmente trata-se do Jamaica no Cais do Sodré, não confundir. E infelizmente trata-se do Jamaica num sábado à noite. Ou seja, tentativa de esmagamento colectivo ao som de The Power Station- Some Like It Hot ou Aztec Camera. Por aí. Chegam a amiga e gajo da amiga. Vertigem da multidão. Saem amiga e gajo da amiga. Fica para outro dia. Um de semana que não sirva para esmagar ninguém numa pista de dança. O que se faz? Qual o bar mais próximo onde não se castigue ninguém com o suor alheio e falta de espaço para respirar? Um Irish. Há quanto tempo! Pergunta: o que é que aconteceu aos Irish Clubs nos últimos anos? Foram invadidos pelo Bob Sinclar e ninguém avisou? Também faltou avisar que um bar não é uma discoteca e o som deve estar “ligeiramente” mais baixo. Só ligeiramente. E há karaoke num Irish? A amiga e gajo riam de não acreditar. Num minuto vozes engrossadas pela bebida ou pela vida ou pelo tabaco ou por já terem nascido assim, cantavam We are the Champions e o Freddie a agonizar lá para onde Deus o quis mandar. Noutro, batidas frenéticas e o Bob Sinclar e tudo. World Hold On. É isso. Espera aí um bocadinho que a amiga vai ali e já vem. Long live a companhia que ajudou a rir da desgraça. Ah! E definitivamente, Long Live Bairro Alto.

sexta-feira, março 09, 2007

Tenho uma amiga que está a hibernar. Porque está tudo calmo lá na vida dela. Porque há muito muito tempo não se olha ao espelho com olhos inchados. Porque não há nenhum drama por perto para fazer. Porque os gatos acalmam um hiperactivo e um hiperactivo não consegue estar calmo. Porque não há queixas para fazer, só mesmo se olhar para dentro com um microscópio, e ela faz isso todos os dias, não vá haver uma bactéria, uma infecçãozinha, uma poeira galopante a varrer-lhe a tranquilidade- ela não se sente nada bem com tranquilidade, coitada. Se continuar em hibernação e as bactérias, infecçõezinhas e poeiras galopantes não aparecerem, vai partir a vida aos bocadinhos até fazer dos pedaços querelas, vai caminhar sobre os cacos e aleijar-se a sério. Será o fim da hibernação. Será o fim da quietação. Será o fim. Será isso que ela quer?