segunda-feira, outubro 16, 2006

Tenho uma amiga que faz rádio e há tempos escreveu um artigo que lhe foi pedido por uma Seguradora (não perguntem!). Segue o dito...

A rádio, a voz, a mulher e tudo o mais

Não há meio de comunicação como a rádio. Ninguém me convence do contrário. Principalmente para nós mulheres, a rádio é o meio que melhor nos fica. Porque ficamos sempre bem na fotografia do éter. Ficamos como o ouvinte nos quer ver… ou imaginar! E temos qualquer coisa de camaleão, pelo menos na cabeça de quem nos ouve. Somos altas e baixas, magras e gordas, loiras, ruivas ou morenas. Assumimos várias formas e temos sempre a maquilhagem no ponto, mesmo que na realidade as olheiras já atinjam a proporção de poço sem fundo, mesmo que a crise de acne em dias de Inverno com mais stress não tenha sido disfarçada, mesmo que a saia não faça pendant com o top. Temos sempre a nossa base e rímel: o transístor - essa grande invenção que nasceu nos Laboratórios Bell Telephone; essa grande palavra que caiu em desuso. Agora saímos do auto-rádio, das aparelhagens xpto com colunas otpx, do Podcast e da Internet. E por aqui o mistério que envolve a rádio vai perdendo pontos. As vozes já vão tendo rostos espalhados nos sítios ou sites das rádios. Não é grave.
O melhor de fazer rádio é passar emoções. Porque a rádio é, e sempre foi, uma caixinha emocional, a voz feminina assume uma importância enorme. Porque -e ninguém me poderá contrariar - a lidar com emoções, nós mulheres batemos os homens aos pontos. Proponho uma análise muito, muito rápida à diferença entre a comunicação feita por uma voz masculina e uma voz feminina. Por exemplo, a voz masculina fica muito bem a dar informação horária, é sempre eficaz. Mas um “BOM DIA” dito com a delicadeza que caracteriza as mulheres, até convence em dia de chuva. E não se pode esquecer que, para comunicar bem é preciso saber ouvir. Mais uma vez, convenhamos, os homens só ouvem o que lhes interessa. E não, não sou feminista. Sou mulher e como diz o spot “se eu não gostar de mim, quem gostará?” (por sinal, a voz do spot é feminina). Imodéstias à parte, as mulheres ficam sempre bem e agradam aos de Marte e de Vénus (continuo a preferir a máxima que diz “os homens são da Terra, as mulheres são da Terra”). Os homens gostam; as mulheres sentem-se representadas.
Cheguei à rádio por convicção, porque decidi, porque queria ter o efeito nas pessoas que os senhores e senhoras da rádio tiveram em mim. Porque queria viver assim, sempre de sorriso aberto, sem problemas pessoais, com acesso fácil a música, queria viver a rádio. Vale a pena. Apesar de ter facilmente chegado à conclusão de que as pessoas da rádio, devo dizê-lo, são umas grandes fingidas. Afinal até sofrem, têm noites mal dormidas, dias difíceis e fases neuróticas. Mas mais uma vez as mulheres estão em vantagem, fingem muito bem, já se sabe, força do hábito - não que fale por experiência própria, li isto nos livros!
É muito bom poder pensar, nem que seja só eu a pensar, que sou mais uma “menina da rádio”. Vivo, sinto, dependo, faço tudo pela rádio. Até acordar de madrugada (se o meu director estiver a ler, lanço o desafio… para quando um programa da manhã ao meio-dia?).
Costumo dizer que tenho três animais de estimação: dois gatos e O bicho da rádio.

2 comentários:

Ana Moreira disse...

As as mulheres da rádio e o seu brilho... poix concerteza!!!!
és linda e brilhante tá!?!?!?

cloinca disse...

E esse bichinho da rádio quando te mordeu foi com a força toda?!
É que tu vê lá... não vá o bicho morder mal... que não é pago para essas coisas!
;)
Beijos, beijos, beijos!